Política
Governo Jerônimo prevê aumento da dívida estadual e Folha aponta piora nas contas da Bahia
As projeções fiscais do próprio Governo da Bahia acenderam um alerta sobre a evolução do endividamento estadual. Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias PLD.

As projeções fiscais do próprio Governo da Bahia acenderam um alerta sobre a evolução do endividamento estadual. De acordo com o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado à Assembleia Legislativa, a relação entre a Dívida Consolidada Líquida (DCL) e a Receita Corrente Líquida (RCL) poderá alcançar 44% no próximo ano.
O percentual chama atenção quando comparado aos números mais recentes divulgados pela Secretaria da Fazenda da Bahia (Sefaz-BA). Em outubro de 2026, o indicador estava em aproximadamente 35%, o que representa uma diferença de nove pontos percentuais em relação à projeção para 2027.
Caso a estimativa se confirme, o Estado poderá registrar uma elevação significativa nesse indicador, colocando novamente em discussão a trajetória das contas públicas durante a administração do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Projeção para 2027
A previsão de 44% está expressa no planejamento orçamentário estadual. O documento, entretanto, não indica que esse percentual já tenha sido alcançado, mas apresenta uma estimativa para o próximo exercício financeiro.
O governo baiano sustenta que o endividamento permanece em patamar considerado seguro. Isso porque o limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal e pela regulamentação do Senado Federal para os estados é de 200% da Receita Corrente Líquida.
Mesmo abaixo do teto legal, a evolução do indicador merece acompanhamento, especialmente diante dos desafios relacionados ao crescimento das despesas, à arrecadação e à capacidade de financiamento dos investimentos públicos.
Folha aponta deterioração das contas estaduais
A situação fiscal da Bahia também foi abordada em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, em setembro de 2026. A análise apontou uma piora nos indicadores fiscais durante o governo Jerônimo Rodrigues, apesar do aumento dos investimentos públicos.
Entre os pontos destacados estão a deterioração dos resultados orçamentários, a redução do caixa disponível e o crescimento dos restos a pagar, fatores que levantam questionamentos sobre a sustentabilidade das contas estaduais nos próximos anos.
Segundo a publicação, os investimentos previstos para o atual mandato podem alcançar R$ 29,1 bilhões, acima dos R$ 23,4 bilhões registrados no governo anterior, de Rui Costa.
Governo defende equilíbrio fiscal
Em contraponto às preocupações levantadas, a Secretaria da Fazenda afirma que a Bahia mantém uma situação de endividamento controlada. Em outubro de 2026, o governo informou que a relação entre dívida consolidada líquida e receita corrente líquida estava em aproximadamente 35%.
A administração estadual também destaca que o indicador permanece distante do limite de 200% estabelecido para os estados.
O debate, portanto, não se restringe ao cumprimento dos limites legais, mas envolve a capacidade do governo de manter investimentos, honrar compromissos financeiros e preservar a saúde das contas públicas.
A questão que fica é: quais fatores explicam a projeção de crescimento do endividamento para 2027 e quais medidas o governo pretende adotar para evitar uma pressão maior sobre o orçamento estadual?
A evolução dos indicadores fiscais deverá continuar no centro das discussões sobre a gestão financeira da Bahia.
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