Política
Vereador diz que retorno de Morão à Câmara de Santo Antônio de Jesus “constrange e envergonha”
Vereador critica retorno de Morão à Câmara de Santo Antônio de Jesus, destacando constrangimento e a necessidade de resposta ética da Casa Legislativa.
O vereador Uberdan Cardoso (PT) criticou o retorno de Edivan de Jesus Santos, conhecido como Morão (União Brasil), às atividades da Câmara Municipal de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. Em entrevista após a sessão ordinária desta segunda-feira (10), Uberdan afirmou que a presença do colega no Legislativo provoca constrangimento e, segundo ele, representa uma situação que não pode ser ignorada pela Casa.
“Acho que a gente não pode pecar pela omissão, não pode pecar pelo silêncio, porque o silêncio constrange e, mais do que constranger, envergonha”, declarou o parlamentar.
De acordo com Uberdan, existe um processo penal relacionado ao caso que tramita sob segredo de Justiça. O vereador também informou que uma comissão formada por três parlamentares acompanha a situação dentro da Câmara Municipal.
Para Uberdan, o Legislativo não deve assumir o papel do Judiciário ou atuar como órgão responsável pelo julgamento criminal do caso. No entanto, defende que a Câmara apresente uma resposta à sociedade dentro de suas competências institucionais.
O vereador também destacou uma diferença entre os aspectos jurídicos e éticos envolvidos na situação. Segundo ele, embora os procedimentos legais devam ser respeitados, a Casa Legislativa também precisa avaliar os impactos do episódio diante da sociedade.
Morão reassumiu o mandato após permanecer mais de nove meses afastado. Ele havia sido preso em duas ocasiões em decorrência de acusações relacionadas a episódios de violência envolvendo a mesma companheira. As acusações ainda seguem sob análise das autoridades competentes, com os procedimentos judiciais em andamento.
Durante a entrevista, Uberdan lembrou ainda sua atuação parlamentar na defesa dos direitos das mulheres. O petista afirma ser autor de sete projetos que foram transformados em leis municipais voltadas à proteção feminina e ao enfrentamento da violência.
Entre as iniciativas mencionadas estão medidas relacionadas à violência obstétrica, ao mapeamento de casos de violência contra a mulher, à saúde mental feminina e à distribuição de absorventes.
Apesar das críticas, Uberdan ressaltou que o caso de Morão deve seguir os trâmites previstos na legislação e que o vereador tem direito à ampla defesa e ao contraditório. A eventual responsabilização criminal, portanto, cabe ao Poder Judiciário, dentro do devido processo legal.
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