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Sheila Lemos termina eleição menor do que começou: perde força nas urnas, aliados e controle da base

Sheila Lemos encerra as eleições de 2026 politicamente enfraquecida, com perda de votos e aliados em Vitória da Conquista, desafiando sua base.

Por Urgente Bahia
Sheila Lemos termina eleição menor do que começou: perde força nas urnas, aliados e controle da base

É difícil olhar para o resultado das urnas em Vitória da Conquista e chegar a outra conclusão: Sheila Lemos termina as eleições de 2026 politicamente mais enfraquecida do que entrou.

Com 264.091 eleitores, Conquista é o terceiro maior colégio eleitoral da Bahia. Sheila chegou à disputa com a Prefeitura nas mãos, vereadores, lideranças políticas e o peso de uma votação expressiva: 116.488 votos recebidos na eleição municipal de 2024. Ainda assim, os resultados de 2026 ficaram distante da força eleitoral demonstrada dois anos antes.

Em 2022, ACM Neto venceu Jerônimo Rodrigues em Vitória da Conquista com 36.670 votos de vantagem. Quatro anos depois, apesar de permanecer à frente, a diferença caiu para apenas 6.980 votos: 101.035 contra 94.055. Na prática, uma vantagem que encolheu cerca de 81%.

O cenário se torna ainda mais delicado porque, no resultado estadual, o candidato apoiado pela prefeita acabou derrotado.

Mas o resultado mais sensível para o grupo de Sheila veio de dentro de seu próprio projeto político.

Wagner Alves não consegue transformar força da Prefeitura em votação

O marido da prefeita, Wagner Alves, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia e terminou com 53.451 votos, sendo 33.397 em Vitória da Conquista e 20.054 nos demais municípios. A votação, porém, não foi suficiente para garantir a eleição.

É evidente que uma eleição proporcional não pode ser comparada diretamente a uma disputa majoritária. São regras, estratégias e dinâmicas diferentes. Ainda assim, o número chama atenção por um motivo político: pouco mais de 33 mil votos no principal reduto eleitoral de uma prefeita que havia obtido mais de 116 mil votos dois anos antes levanta dúvidas sobre a capacidade de transferência de votos do grupo.

E esse é um dos principais sinais deixados pelas urnas.

A estrutura da Prefeitura, o apoio de vereadores, secretários e lideranças não foi suficiente para produzir uma votação capaz de consolidar Wagner como uma liderança estadual.

Oposição cresce e ocupa espaço

Enquanto o grupo de Sheila enfrentava dificuldades para transformar a força municipal em votos para seu principal candidato, a oposição avançou.

Jerônimo reduziu significativamente a vantagem de ACM Neto em Conquista. No campo proporcional, nomes ligados à oposição também apresentaram desempenho expressivo.

Waldenor Pereira ultrapassou a marca de 32 mil votos para deputado federal no município. Zé Raimundo passou dos 27 mil votos para deputado estadual, enquanto Fabrício Falcão superou os 21 mil votos.

Os números mostram que o eleitorado conquistense continua dividido e que a oposição mantém uma fatia importante do eleitorado, mesmo diante de uma Prefeitura comandada por um grupo político diferente.

O desgaste também acontece dentro da própria base

Se o resultado das urnas já seria suficiente para acender o sinal amarelo, o cenário político dos últimos meses torna a situação ainda mais complicada para Sheila Lemos.

A prefeita conseguiu algo que, politicamente, pode ser considerado ainda mais preocupante: criou novos adversários sem conseguir neutralizar os antigos.

O PSDB, que participou da aliança responsável pela reeleição de Sheila e possui três vereadores na Câmara Municipal, rompeu com o grupo após o conflito envolvendo a sucessão eleitoral e a decisão da prefeita de concentrar forças na candidatura de Wagner Alves, deixando em segundo plano o projeto de reeleição de Tiago Correia.

O rompimento não foi apenas formal. O episódio expôs publicamente uma fissura que vinha sendo construída nos bastidores e colocou antigos aliados em lados opostos.

O Republicanos, que possui dois vereadores e tem como principal representante no governo municipal o vice-prefeito Alan Fernandes, também entrou em rota de colisão com o grupo da prefeita.

Alan deixou de apoiar o projeto político de Wagner Alves e passou a caminhar ao lado da própria esposa, Dra. Lara Fernandes, que se tornou uma das principais vozes de oposição ao grupo de Sheila e protagonizou fortes embates públicos com aliados da prefeita.

Ou seja: o problema de Sheila não está apenas no resultado das urnas, mas também no tamanho da base que chega ao pós-eleição.

E ainda pode haver mais desdobramentos

Nos bastidores da política conquistense, o clima continua de expectativa.

Há informações circulando de que um vereador considerado importante dentro da atual configuração política da Câmara Municipal estaria prestes a anunciar publicamente o rompimento com a prefeita.

Se a movimentação se confirmar, o episódio poderá ampliar ainda mais a percepção de que o grupo de Sheila saiu das eleições de 2026 menor do que entrou.

Por enquanto, trata-se de uma informação de bastidores. Resta aguardar os próximos capítulos — porque, em Vitória da Conquista, a eleição terminou nas urnas, mas a disputa política está longe de terminar.

O saldo político

Em política, perder uma eleição é ruim.

Perder uma eleição e sair dela menor do que entrou é muito pior.

Sheila Lemos ainda tem dois anos de mandato pela frente, estrutura administrativa, capital político e tempo para reorganizar sua base. Mas as urnas de 2026 deixaram um recado difícil de ignorar: a força eleitoral de 2024 não se repetiu, a oposição avançou e a base política da prefeita começou a apresentar rachaduras importantes.

O desafio agora será transformar esse cenário antes que os números das urnas de 2026 deixem de ser apenas um alerta e passem a representar uma tendência para a próxima eleição municipal.

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