Santaluz
PF deflagra nova operação contra esquema de extração ilegal de ouro em Santaluz na Bahia
Operação Repasse cumpre mandados em Santaluz e apura extração clandestina do minério, uso de substâncias tóxicas e suspeita de lavagem de dinheiro.

Operação Repasse cumpre mandados em Santaluz e apura extração clandestina do minério, uso de substâncias tóxicas e suspeita de lavagem de dinheiro. Investigados foram indiciados por diversos crimes.
A Polícia Federal (PF) investiga uma rede suspeita de mineração ilegal de ouro em Santaluz, no nordeste da Bahia. Segundo relatórios periciais citados na investigação, os danos ambientais associados às atividades ultrapassam R$ 180 milhões. O caso envolve a extração irregular de recursos minerais e o processamento de resíduos de garimpo com substâncias químicas potencialmente perigosas à saúde humana e ao meio ambiente.
A apuração avançou com a deflagração da Operação Repasse, que cumpriu dois mandados de busca e apreensão no município. A nova fase tem como objetivo recolher bens que já haviam sido sequestrados por determinação judicial e apreender outros materiais identificados durante as diligências.
De acordo com a Polícia Federal, os investigados teriam desenvolvido atividades ilegais de extração de ouro ao longo de vários anos. Posteriormente, o grupo teria ampliado a operação com a construção de laboratórios destinados ao recebimento e ao refinamento de rejeitos provenientes de processos de moagem realizados por garimpeiros ilegais.
Uso de substâncias tóxicas preocupa autoridades
Segundo as investigações, o ouro era recuperado dos resíduos por meio da lixiviação, processo químico utilizado para separar determinados componentes de uma mistura. Nesse caso, o procedimento empregava cianeto de sódio para extrair o metal presente nos rejeitos.
A Polícia Federal alerta que o manuseio, o armazenamento e o descarte inadequados de substâncias como o cianeto de sódio e o cianeto de potássio podem provocar graves consequências ambientais e riscos à saúde humana.
Quando liberados de forma irregular, esses compostos podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de representar perigo para trabalhadores e comunidades próximas às áreas de processamento.
O impacto ambiental estimado em mais de R$ 180 milhões reforça a dimensão econômica e ambiental do caso. A extensão dos danos e as responsabilidades individuais deverão ser consideradas no decorrer dos procedimentos investigativos e judiciais.
Operação é desdobramento de outras investigações
A Operação Repasse é um desdobramento de três ações anteriores da Polícia Federal: Garça Dourada, Serra Dourada e Lixiviação, realizadas entre junho de 2023 e agosto de 2024.
As investigações anteriores contribuíram para o aprofundamento das apurações sobre a suposta estrutura de mineração clandestina e o processamento irregular de rejeitos para recuperação de ouro.
A nova etapa busca avançar na recuperação de bens vinculados ao caso e reunir outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento das atividades investigadas.
Investigados respondem por diversos crimes
Conforme as informações divulgadas pela Polícia Federal, os investigados foram indiciados por suspeitas de crimes como usurpação de bens da União, associação criminosa, extração ilegal de recursos minerais, posse de artefatos explosivos, uso ou armazenamento ilícito de substâncias tóxicas e lavagem de dinheiro.
Somadas, as penas máximas previstas para os delitos mencionados podem chegar a 29 anos de reclusão, a depender do enquadramento jurídico, das circunstâncias de cada crime e da aplicação das regras legais pertinentes.
O indiciamento representa a conclusão da autoridade policial sobre a existência de indícios de autoria e materialidade, mas não equivale a uma condenação criminal. A responsabilização dos envolvidos dependerá da tramitação do caso e da análise das provas pelas autoridades competentes.
A Polícia Federal continua trabalhando para esclarecer a dimensão da estrutura investigada, identificar eventuais responsabilidades e viabilizar as medidas legais relacionadas aos bens e aos danos associados à suposta atividade de mineração ilegal.
