Salvador
Atrasos nos pagamentos de médicos se agravam em hospital da Bahia e já afetam escalas de atendimento
Os atrasos nos pagamentos de médicos que atuam em hospitais da rede pública da Bahia têm provocado preocupação entre os profissionais de saúde.
Os atrasos nos pagamentos de médicos que atuam em hospitais da rede pública da Bahia têm provocado preocupação entre os profissionais de saúde e levantado questionamentos sobre os impactos na assistência à população. Desta vez, o problema envolve o Hospital Professor Eládio Lasserre, localizado no bairro de Cajazeiras, em Salvador.
De acordo com reportagem publicada pelo jornal Correio, os médicos que trabalham na unidade enfrentam atrasos recorrentes no recebimento dos valores referentes aos plantões. Até o primeiro semestre deste ano, os pagamentos eram realizados normalmente no mês seguinte à prestação dos serviços. A partir de maio, porém, os intervalos começaram a aumentar.
No fim de outubro, a situação chegou a um cenário de três meses de remunerações pendentes. Segundo os relatos, o último pagamento havia sido referente aos plantões de julho, enquanto os valores de agosto, setembro e outubro continuavam em aberto.
O Hospital Professor Eládio Lasserre é administrado pelo Instituto Fernando Filgueiras (IFF). Conforme os profissionais ouvidos pela reportagem, as cobranças são feitas diretamente à coordenação, à diretoria e ao setor financeiro da unidade. A justificativa apresentada seria a falta de repasses necessários para quitar os pagamentos.
Atrasos provocam insegurança financeira
Uma médica que trabalha na emergência do hospital relatou que a situação tem comprometido o planejamento financeiro dos profissionais. Como os contratos são realizados por meio de pessoa jurídica (PJ), os médicos dependem do recebimento dos plantões para manter suas despesas pessoais e obrigações financeiras em dia.
A profissional afirmou que precisou reorganizar as contas e escolher quais compromissos conseguiria pagar diante dos meses de atraso.
Os valores dos plantões de 12 horas podem chegar a R$ 1.440 durante os dias úteis e R$ 1.550 aos finais de semana.
Escalas começam a apresentar vagas
Além dos prejuízos financeiros, os atrasos já estariam refletindo na composição das equipes médicas. Segundo os relatos, anteriormente os plantões disponíveis eram disputados e preenchidos rapidamente. Atualmente, algumas vagas permanecem abertas, situação que pode estar relacionada à insegurança dos profissionais quanto à data de recebimento.
A ausência de médicos em determinados turnos também gera preocupação com a assistência aos pacientes, podendo provocar sobrecarga para os profissionais que permanecem trabalhando na unidade.
A médica relatou situações em que pacientes procuraram atendimento durante a semana e encontraram dificuldades devido à ausência de profissionais em determinados horários.
Apesar de manter uma relação de confiança com o hospital, a profissional admite a possibilidade de deixar a unidade caso os atrasos continuem. Além da insegurança financeira, as cobranças frequentes por pagamentos pendentes têm provocado desgaste entre os trabalhadores.
Problema também atinge outras unidades
O caso do Hospital Professor Eládio Lasserre ocorre em meio a denúncias semelhantes envolvendo outras unidades de saúde da Bahia. Na última terça-feira (27), o Correio também publicou uma reportagem sobre médicos do Hospital 2 de Julho, em Salvador, que estariam sem receber pelos serviços prestados desde julho. A unidade é administrada pela empresa Fabamed.
Procurado pela reportagem, o Instituto Fernando Filgueiras (IFF) não respondeu aos contatos realizados por telefone. A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) também foi procurada.
Até o fechamento da reportagem, não havia manifestação dos responsáveis. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
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