Bahia
Aumento nos preços de combustíveis gera preocupação entre consumidores na Bahia
Aumento nos preços de combustíveis gera preocupação entre consumidores na Bahia, com impactos da privatização e conflitos internacionais.

Especialistas e entidades do setor de petróleo alertam que os recentes aumentos nos preços dos combustíveis, como o litro de gasolina chegando a R$ 9 em São Paulo, não são exclusivamente causados pela instabilidade internacional. Segundo análises, a privatização da BR Distribuidora retirou o controle estratégico do Estado sobre a cadeia de fornecimento, permitindo reajustes excessivos que desconsideram os preços nas refinarias, conforme informações da Agência Brasil.
A falta de uma estrutura integrada “do poço ao posto” fez com que o Brasil perdesse uma ferramenta essencial para conter a especulação em momentos de crise. Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), destaca que o aumento desproporcional dos preços, mesmo sem reajustes na Petrobras, é alarmante.
De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o conflito no Oriente Médio tem sido usado como justificativa para que distribuidoras e revendedoras aumentem suas margens de lucro. O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, afirma que o preço final chega ao consumidor com um acréscimo de cerca de 40%.
Bacelar também critica a privatização das subsidiárias da Petrobras, como a BR Distribuidora, que afetou a política de preços e prejudicou os consumidores, além de impactar a inflação. A antiga estrutura verticalizada da Petrobras, que abrangia todas as etapas do fornecimento de petróleo, era capaz de oferecer uma política de preços mais equilibrada.
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A análise é respaldada por especialistas acadêmicos. Geraldo de Souza Ferreira, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), argumenta que a retirada de uma empresa pública do setor vital do petróleo diminui as ferramentas de intervenção do Estado. Ele enfatiza a importância do controle estatal para garantir a segurança energética do país.
A privatização da BR Distribuidora foi concluída em 2021, sem consulta ao Congresso, conforme decisões do Supremo Tribunal Federal. Essa alienação foi feita sob a justificativa de que a Petrobras deveria focar na exploração de petróleo e gás, abandonando a distribuição.
Para tentar conter a alta dos combustíveis, o governo isentou o PIS/Cofins sobre o diesel e concedeu uma subvenção econômica. Essas medidas visam reduzir o impacto no bolso do consumidor, diante da variação dos preços no mercado internacional. O governo federal também criou uma sala de monitoramento para acompanhar as condições de comercialização de combustíveis no Brasil.
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