Itapetinga
Empresa criada em Itapetinga transforma cultivo de baunilha em negócio milionário e mira mercado internacional
A Vanilla Brasil, de Itapetinga, transforma o cultivo de baunilha em sucesso milionário e mira o mercado internacional com produtos inovadores.

Uma reportagem assistida na televisão foi o ponto de partida para uma iniciativa que, anos depois, se transformaria em um negócio milionário no interior da Bahia. O agrônomo Aderbal Castro e o filho, Tarcísio Machado, decidiram apostar no cultivo da baunilha, uma cultura ainda pouco explorada comercialmente no Brasil, e criaram a Vanilla Brasil, empresa que faturou R$ 8,1 milhões em 2025 e projeta alcançar R$ 16 milhões em 2026.
A história foi divulgada pela revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios. O empreendimento começou em 2016, no município de Itapetinga, no Sudoeste baiano, quando Aderbal se preparava para se aposentar da carreira de professor universitário e buscava uma nova atividade que pudesse gerar renda em uma pequena propriedade.
Na época, Tarcísio Machado havia acabado de se formar em Administração e trabalhava no mercado financeiro. Pai e filho chegaram a estudar outras possibilidades de negócio, entre elas o cultivo de cacau e a criação de camarão, até conhecerem o potencial econômico da baunilha.
A cultura apresentava vantagens para o projeto familiar, como a possibilidade de produção em uma área relativamente pequena e um investimento inicial considerado compatível com a proposta. O principal desafio, no entanto, era a espera pelo retorno financeiro.
Primeira colheita comercial aconteceu quatro anos depois
As primeiras mudas foram adquiridas pela internet, em 2016, mas o início da produção foi marcado por dificuldades. Muitas plantas morreram antes mesmo de florescer, obrigando os empresários a reverem o projeto e reconstruírem as estufas em outro local.
A primeira colheita comercial só foi realizada em 2020, quatro anos após o início do cultivo.
Para manter a empresa funcionando enquanto aguardava o desenvolvimento da produção própria, Tarcísio passou a importar favas de baunilha de Madagascar para revendê-las no mercado brasileiro. Durante os dois primeiros anos do negócio, ele ainda conciliou a atividade empresarial com o trabalho no mercado financeiro.
Com o crescimento da empresa, as funções foram divididas entre pai e filho. Aderbal Castro passou a concentrar suas atividades na fazenda e no desenvolvimento de novos produtos, enquanto Tarcísio assumiu a área comercial, incluindo as operações do escritório em São Paulo e da fábrica instalada em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.
Cultivo exige polinização manual e longo processo de produção
O cultivo da baunilha exige cuidados intensivos e um processo que demanda tempo. As flores da orquídea do gênero Vanilla permanecem abertas por apenas algumas horas, período em que precisam ser polinizadas manualmente.
Durante a época de maior floração, a equipe da fazenda, que normalmente conta com sete funcionários, chega a reunir cerca de 30 trabalhadores por aproximadamente um mês para realizar o processo.
Após a polinização, são necessários cerca de nove meses até a colheita das favas. Depois de retiradas individualmente, elas ainda passam por um período de aproximadamente cinco meses de cura e secagem, em estufas com temperatura controlada.
Segundo as informações divulgadas, o processo de beneficiamento foi desenvolvido em parceria com o Senai Cimatec. É durante essa etapa que a baunilha desenvolve o aroma característico e ganha as propriedades necessárias para a comercialização.
A produção da empresa também vem registrando crescimento. Há dois anos, a Vanilla Brasil colheu cerca de 700 quilos. No ano passado, o volume chegou a 1,5 tonelada.
Para 2026, a expectativa é ampliar o cultivo para 45 mil plantas e dobrar a produção atual.
Faturamento cresce e empresa mira os Estados Unidos
Atualmente, a Vanilla Brasil comercializa diversos produtos derivados da baunilha, entre eles favas, extrato, pasta, pó, caviar de baunilha e açúcar aromatizado. O extrato é, atualmente, o item mais vendido pela empresa, seguido pela pasta.
Além da expansão no mercado brasileiro, a companhia iniciou uma operação direta em marketplaces e passou a mirar o mercado internacional. A empresa já abriu uma subsidiária nos Estados Unidos, onde pretende iniciar a comercialização direta de seus produtos.
A expansão também pode alcançar outros mercados. Amostras da produção brasileira foram enviadas ao Japão, após o interesse demonstrado por uma empresa importadora.
A meta é ambiciosa: a Vanilla Brasil pretende alcançar US$ 10 milhões em faturamento nos Estados Unidos até 2027 e chegar a uma receita global de aproximadamente R$ 25 milhões no mesmo período.
O negócio iniciado em uma pequena propriedade de Itapetinga mostra como uma cultura ainda pouco explorada no país pode ganhar escala, gerar empregos e abrir espaço para produtos brasileiros no mercado internacional.
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