Justiça
Justiça interrompe uso de terrenos públicos como garantia para Banco de Brasília
Juiz suspende uso de terrenos públicos como garantia para capitalização do Banco de Brasília, levantando questões sobre interesse público.

O juiz Daniel Eduardo Branco Carnacchioni, da 2ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal, decidiu nesta segunda-feira (16) suspender temporariamente a utilização de terrenos públicos como garantia para a capitalização do Banco de Brasília (BRB). A decisão foi motivada por uma liminar que questiona a legalidade da medida.
O BRB enfrenta uma crise de liquidez após a aquisição de aproximadamente R$ 12 bilhões em títulos do Banco Master, que mais tarde se revelaram fictícios, sem lastro. Isso gerou um grande rombo nas contas do banco, que é controlado pelo governo do Distrito Federal. Para solucionar a situação, o BRB havia proposto um aumento de capital de até R$ 8,6 bilhões.
Na semana passada, o governador Ibaneis Rocha sancionou uma lei que permitiria a utilização de nove imóveis do GDF como garantia para a captação de R$ 6,6 bilhões no mercado financeiro. Além disso, a legislação autorizava a venda de patrimônio de outras estatais do DF para injetar recursos no banco.
Conforme informações da Agência Brasil, a Justiça alegou que a lei não demonstra como a operação atenderia ao interesse público. O juiz afirmou que as decisões sobre capitalização deveriam ser exclusivas do BRB, e não decididas por uma lei distrital. “Determino a suspensão imediata de todo e qualquer ato previsto na mesma legislação”, escreveu o magistrado.
A ação popular que gerou essa decisão foi movida por políticos do PSB, que levantaram preocupações sobre possíveis danos ao patrimônio público. A lei que permitiu essa capitalização foi aprovada na Câmara Legislativa do DF com 14 votos a favor e 10 contra, mas gerou críticas da oposição, que a considerou um “cheque em branco” ao governo.
Além disso, há receios de que imóveis do DF possam ser vendidos ou transferidos para o banco, podendo ser negociados posteriormente. Movimentos ambientalistas também se manifestaram contra a inclusão de áreas de importância ambiental nas negociações.
A compra dos títulos problemáticos está sendo investigada pela Polícia Federal e o caso tramita no Supremo Tribunal Federal, com ex-diretores do BRB sendo alvo de apurações. O banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro, está preso e é investigado por crimes relacionados ao sistema financeiro.
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